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| Entrevista: Arnaldo Frias |
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| Escrito por Aureliano |
| Quarta, 18 Novembro 2009 10:36 |
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Sócio-Gerente da Korridas&Kompanhia, representante para Portugal e Espanha da ROTAX e organizador do mais prestigiado troféu em âmibito nacional da presente época, Arnaldo Frias concedeu uma bela entrevista ao nosso site. Confira!  Em 1º lugar, gostarÃamos de agradecer a vossa disponibilidade para ser o nosso entrevistado. Neste ano, a Korridas&Kompanhia assinala 10 anos de actividades como representantes exclusivos ROTAX. Como começou sua ligação ao karting? A ligação ao karting começou connosco – Eu e o Rui Vieira – como pilotos de karting em Baltar. Depois começamos a organizar provas para amigos e foi assim que, mais tarde, um outro grupo de amigos sugeriu que nos juntássemos e fizéssemos a Korridas. Com o desenvolvimento do negócio os outros sócios saÃram da empresa por indisponibilidade de tempo e ficamos nós ao comando da empresa, que hoje é uma referência no karting nacional, espanhol e que é já bem conhecida a nÃvel internacional. Aliás, existe já uma empresa em Moçambique com o nome Korridas e uma outra que se deve á formar na Ãfrica do Sul.
 És reconhecidamente um grande profissional de "bastidores". Diferente do vosso sócio, Rui Vieira que regularmente participa de corridas, o Arnaldo está mais na parte operacional. Já se aventurou como piloto a sério? Como foi esta experiência? Cada um de nós tem as suas competências e apetências. Ambas as valências se complementam na empresa. Tal como referi já fui piloto de karting, muito amador, durante alguns anos e tive também uma pequena passagem pelos automóveis, com os Ford Fiesta. Foi uma experiência muito interessante e que ainda hoje sinto falta. No entanto as obrigações da empresa não me permitem ter disponibilidade para poder conjugar este «amor» pelo desporto automóvel. Mas, sinto-me também bem na organização e promoção de eventos desportivos.  Já há alguns anos, notamos as dificuldades que o karting português vem sofrendo. Há solução para este cenário actual? Penso que há solução. Aliás a Korridas tem vindo a demonstrar ao longo dos anos que o karting se pode manter vivo e que se podem criar condições para encontrar novos pilotos. As dificuldades que existem neste momento são dificuldades derivadas da crise económica. O que é necessário é encontrar alternativas. E, neste momento a Rotax é uma alternativa, senão a única alternativa. Para melhorar o actual panorama do karting há várias medidas a tomar. Em primeiro lugar é importante que as empresas ligadas ao karting (mecânicos, equipas e representantes de marcas) se convençam que o mercado mudou radicalmente e que mudem as suas mentalidades. Felizmente algumas estão a mudar, mas ainda não todas Em segundo é importante que a própria FPAK - Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting -  perceba também isso (passos que já estão a ser dados). Terceiro é muito importante apostar nas camadas jovens. Quando o mercado era abundante não havia essa preocupação porque em qualquer idade surgiam novos pilotos. Hoje é preciso incutir o gosto pelo karting a partir de idades mais novas para que possamos ter continuidade. Esse trabalho é de médio prazo, implica um investimento na promoção e o seu retorno não é imediato. Mas é necessário fazê-lo para garantir grelhas dentro de alguns anos. Quarto é encontrar soluções de produtos que sejam verdadeiramente aceitáveis do ponto de vista de controlo de custos, tal como a solução Rotax. As federações continuam a seguir o errado caminho da CIK - Comissão Internacional de Karting ( cujas soluções estão moribundas). As KF estão a morrer em todos os paÃses. Depois é preciso que a própria FPAK entenda que o seu papel se deve resumir ao seu papel de regulador e não à organização de provas ou campeonatos. A realidade mostra que são empresas privadas quem organiza os campeonatos com maior sucesso. Em Portugal veja-se o nosso caso ou internacionalmente o WSK ou o EuroChallenge Rotax e mesmo as Finais Mundiais Rotax. Todas estas competições são organizadas por empresas privadas. Isto para não falar nos automóveis.
 De que forma a ROTAX poderá ajudar nisto? A Rotax, como marca produtora de motores para karting tem tido um papel importante no desenvolvimento do karting mundial. Por um lado através do Rotax Max Challenge, que é, hoje em dia, a competição a nÃvel mundial mais pilotos de karting movimenta em todo o Mundo, e que tem contribuÃdo para que as empresas fabricantes de chassis continuem a vender. Por outro lado através do conceito inovador do seu motor, que ainda hoje se mantém actual. Repare-se que a actual regulamentação KF se baseou no conceito do motor Rotax. Depois a CIK quis ir mais longe, por pressão de outros fabricantes de motores, e o resultado acabou por ser igual ás soluções anteriores: um enorme aumento de custos. Esta época não contamos com o Nacional de Karting. A ROTAX foi a única competição em âmbito verdadeiramente nacional. A adesão de pilotos aumentou ou ficou abaixo das expectativas da empresa? A adesão foi bastante boa, dentro das nossas expectativas, tendo em conta os momentos difÃcieis que se vivem. Mas o mais importante foi o facto de termos mantido ao longo da época uma média de pilotos bastante elevada, o que não é habitual em outras competições. Isso significa que o nosso troféu tem tudo aquilo que os piltos esperavam: equilÃbrio, baixos custos e qualidade de organização.  Para você, o que deve ser mudado ou implementado pela FPAK para que voltemos a ter provas com grelhas repletas de pilotos e que a força de outros tempos do karting português volte à activa?  1. Perceber que há uma nova realidade de mercado  2. Apostar nas camadas mais jovens  3. Assumir mais o seu papel de regulador e menos o de organizador  4. Passar para a iniciativa privada a organização de campeonatos   Pais, pilotos e equipas: De que forma podem eles também ajudar? Os pais devem ter o cuidado de se manterem mais informados, enfrentar a realidade do paÃs (não alimentando o sonho impossÃvel de levar o seu filho para a F1) e perceber que este desporto é, como qualquer outro, importante essencialmente na formação do filho. Infelizmente assistimos muitas vezes a outras atitudes que são a antÃtese dos valores que devem ser incutidos neste e noutros desportos. Pilotos tem que se convencer que o importante é participarem em campeonatos competitivos. Não é preciso andar nas KF para ser um bom piloto. Equipas devem pensar mais a médio prazo e não a curto prazo. Tem que mudar mentalidades e perceber que este mercado também mudou.    Em 2006 tivemos a Final Mundial ROTAX disputada em Viana do Castelo. Sendo a Korridas o ponto central da organização deste grande evento, qual o balanço final? Foi muito bom não só em termos de experiência organizativa mas essencialmente no crescimento Rotax que gerou nos anos seguintes.   Em 2009, Portugal estará representado por 7 pilotos no Egipto. Chances de sermos campeões? Sim, algumas. Mas recordo que nas finais mundiais estão pilotos de grande nÃvel e muito habituados a disputar provas internacionais Rotax, coisa que falta a alguns dos nossos pilotos. Mas o importante para os nossos representantes é que façam um bom treino cronometrado. Daà para a frente as chances são muito maiores. Â
 A Korridas&Kompanhia também actua fortemente em Espanha. Nos últimos anos, testemunhamos um crescimento do karting no paÃs vizinho. Qual o segredo utilizado por eles para superar a crise? Não é bem verdade. Os espanhóis actualmente estão numa crise profunda, onde o karting não escapa. As KF acabaram em praticamente todas os campeonatos regionais e estes estão a passar por momentos difÃceis A grande diferença é que o mercado espanhol é grande e quando se faz um campeonato de Espanha ainda se conseguem reunir 30 pilotos. Mas nada como antes em que eram mais de 60 pilotos. Uma outra diferença e, essa sim, continua forte é o facto de os espanhóis sempre terem apostado nos mais jovens. E hoje ainda se vêm grelhas de cadetes com mais de 50 pilotos nos campeonatos nacionais. Mas também falharam na Alevin ( dos 7 aos 11 anos) que está muito fraca, devido a uma má opção de motores.   A vossa empresa a cada ano se solidifica mais no mercado do karting ibérico. Quais os planos para 2010? Queremos fazer um troféu a nÃvel nacional em Espanha. Estamos em negociações para tal. Vamos manter e tentar reforçar os campeonatos regionais, envolvendo mais os nossos agentes na promoção de provas.   Pela importância que tens no desenvolvimento do karting nacional, gostarÃamos que o Arnaldo deixasse-nos uma mensagem ou uma dica para aqueles pilotos que estão a se iniciar na categoria. Em primeiro lugar que reúnam informação. Que não se deixem influenciar pela primeira empresa que contactam. Que reflictam bem no troféu que querem fazer, que façam previamente um orçamento em função das suas expectativas de resultados. Que não se iludam que é chegar ver e vencer. O karting exige muito trabalho mas, quanto mais trabalho, mais custos. Se possÃvel adquirir um kart usado e só depois de familiarizado então pode comprar um kart novo. Que se convençam que as provas não se ganham apenas nas pistas. O planeamento e a preparação das provas também ajuda.  Imagens: Pi-Racing.com / Autosport.pt / ProjectoKarting.Blogspot.com                                                                                   |
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