Menu Kart Ja
Newsletter Kart Ja
Assine a newsletter gratuitamente e saiba sobre tudo o que acontece aqui no site!
| Historia de Rubens Barrichello |
|
|
|
| Escrito por Kart Ja | ||||||
| Segunda, 10 Agosto 2009 23:18 | ||||||
|
O melhor e mais técnico piloto que já vi guiar um kart! Sua história será narrada por ele mesmo, veja… A famÃlia da minha mãe
Construà minha carreira no automobilismo em volta de Interlagos. Nasci no bairro e desde muito pequeno costumava pular o muro do autódromo para ver as corridas. Minha famÃlia, inclusive, ainda mora no bairro. Mas dizem que tudo começou mesmo quando minha mãe estava grávida de oito meses e foi assistir o Grande Prêmio da Argentina. Acho que foi aÃ, ainda no ventre da minha mãe, que fui contaminado pela velocidade.
Aos seis anos ganhei meu primeiro kart do meu avô materno e tive que realmente provar que daria certo pra convencer meu pai a me deixar competir. Ele sempre me disse que primeiro tinha que ir pra escola e depois “brincar†e que se eu tivesse notas vermelhas eu não poderia mais andar de kart. Mas quando na minha primeira corrida oficial cheguei em terceiro, na segunda em segundo e na terceira venci as coisas mudaram um pouco. Continuei tendo que estudar muito, mas ganhei um grande aliado: meu pai. Posso afirmar com toda certeza que foi ele o grande responsável por ter chegado onde cheguei.
A partir daÃ, foram anos de muitas conquistas. Competi por oito anos de kart e fui 5 vezes campeão brasileiro e paulista, sem contar as tres vezes que fui vice, e campeão sul-americano em 1986. O engraçado é que ganhei do pai do Montoya nesse campeonato, e fui nono no Campeonato Mundial em 1987. Nesse mundial fui apadrinhado pelo Senna e tÃnhamos dinheiro apenas para eu ir só. Foi bem difÃcil, pois eu não falava nada em nenhuma outra lÃngua e meu melhor amigo durante o campeonato se tornou um surdo-mudo, pois ele tambem não falava nada e assim nós nos entendÃamos muito bem! Aos 16 para 17 anos, no inÃcio de 1989, tive que abandonar minha grande paixão,
Em 1990 vivi um ano muito difÃcil de minha vida, tendo que deixar para trás minha famÃlia, meus amigos e tudo que havia conquistado aqui no Brasil em busca do meu maior sonho: ser um piloto de Fórmula 1. Fui sozinho, e sozinho mesmo, pois não tinha recursos para levar ninguém para Europa. Me lembro muito bem das loucuras que fazÃamos e de como tÃnhamos que lutar para conseguir o que precisávamos para as viagens. Fui participar do Campeonato Europeu de Fórmula Opel na Equipe Draco. Tinha 17 anos e amadureci muito, pois foi muito difÃcil enfrentar tantas barreiras. Vejo hoje os grandes craques serem vendidos e quando chegam ao exterior existe uma enorme estrutura para ajudá-los. Já no caso da maioria dos pilotos, Ãamos com a cara e a coragem. No inÃcio, precisei de muita determinação, pois dormia em um quarto com um cachorro dentro da garagem da equipe. Além disso, tive que competir com a carteira do meu pai, pois eu não tinha licença para dirigir. Isso só foi possÃvel porque eu e meu pai temos o mesmo nome e nascemos no mesmo dia, 23 de maio. Mas valeu, e muito!!! Pois, além de ter aprendido o italiano, fui campeão logo na primeira temporada e, com isso, a Europa quis descobrir quem era aquele moleque que logo no primeiro ano já tinha se tornado campeão. Em 1991, uma nova categoria e um novo desafio: aprender inglês. Fui correr de Fórmula 3 Inglesa na equipe West Surrey Racing. Foi um ano mais difÃcil ainda, já que mudei da Itália para a Inglaterra. Mal havia aprendido o italiano tive que mudar tudo, sem contar o frio, que era insuportável. Mas devo confessar que o mais difÃcil mesmo de tudo isso era ficar longe de casa. Certos dias era bastante duro lidar com a saudade. Sempre fui muito próximo da minha famÃlia e ter que ficar meses sem eles por perto foi muito duro. E naquela época não havia MSN, Skype, e nem mesmo celular. Mas também valeu muito a pena porque, mais uma vez, pude aprender uma lÃngua sendo campeão da categoria. Fui o piloto mais jovem a me tornar campeão da Fórmula Inglesa e só fui batido pelo Nelsinho em 2004, um grande adversário. Ele foi campeão na segunda temporada e eu na primeira. Com dois tÃtulos seguidos recebi um convite para disputar o Campeonato Europeu de Fórmula 3000 de 1992 pela equipe IL Barone Rampante.
Meu primeiro GP foi o Grande Prêmio da Ãfrica do Sul em Kyalami no dia 14 de março de 1993. Larguei em 14º, mas infelizmente aquela Jordan não me ajudava muito e ela quebrou. Mas eu nem liguei, pois era somente meu primeiro Grande Prêmio. Mais uma vez tive que aprender muito. Ainda vivenciava tempos relativamente tranqüilos, pois meu grande herói, Ayrton Senna, era quem segurava a maior pressão. Meu único objetivo para aquela temporada era conseguir marcar pontos. Fiz grandes corridas, como a de Donigton, embaixo de muita chuva, mas a duas voltas do final e em uma brilhante segunda colocação o Jordan quebrou mais uma vez. Naquela temporada foram oito quebras em 16 corridas, porém eu provava a cada prova que tinha um grande futuro. E no dia 24 de outubro de 1993, no Grande Premio do Japão, marquei meus primeiros dois pontos. Muitos foram os pilotos que passaram pela Fórmula 1 e nunca conseguiram marcar pontos e eu, já na minha primeira temporada, tinha conseguido marcar 2 pontos. Tinha agora meu segundo grande objetivo, conquistar meu primeiro podium. E assim comecei 1994. Mal poderia imaginar que mais uma vez tudo aconteceria muito rápido e logo na segunda prova da temporada, na minha 18º prova, no dia 17 de abril de 1994, cheguei em terceiro. Já naquela época a vida queria que eu me acostumasse com minha grande luta dos últimos anos: disputar posições com Michael Schumacher. Ele ganhara a mesmo corrida e assim assumia a liderança do campeonato com nada menos que eu mesmo em segundo. Mas o mais importante daquele dia foi poder ver nos olhos do Ayrton, quando veio me cumprimentar, que nem ele mesmo teria feito melhor naquelas condições. Foi muito melhor que o próprio podium. Mas a próxima corrida chegaria e, pra ser bem sincero, relembrar momentos tão trágicos é algo que ainda me incomoda. No inÃcio da 1ª classificação, na variante baixa, entrei um pouco rápido demais e peguei a zebra de uma maneira que ela me arremessou para a barreira de pneus.
No decorrer dos próximos anos tive que conviver com a enorme pressão que, de alguma maneira, por algumas vezes por ingenuidade minha e outras por maldade de outras pessoas, foi colocada sobre mim. Hoje eu lidaria com tudo isso de uma maneira bem diferente. Porém isso serviu para me ajudar a ser o homem que sou hoje. Os anos foram passando e fui conquistando ótimos resultados. Só que, agora, um pouco mais devagar do que eu gostaria, como a pole no Grande Prêmio da Bélgica em 1994 e o segundo lugar no Grande Prêmio do Canadá em 1995. Em 1996, depois de 3 anos da Jordan achei que tinha que mudar e a proposta da Stewart era muito boa. Não financeiramente, pois demorei muito para ganhar algum dinheiro, mas porque acreditávamos que serÃamos competitivos com a Ford nos apoiando. Em 1997 tirei uma pausa nos treinos e resolvi assumir oficialmente meu relacionamento com a Sil. Nos casamos no dia 24 de fevereiro. Sem dúvida, a Silvana teve um papel importantÃssimo do decorrer da minha carreira. Ela me ajudou a lidar com todas as coisas boas e as más de ser um piloto de Fórmula 1 e sou muito grato a Deus por sua existência. Tivemos ótimos momentos com o Grande Prêmio de Mônaco de 1997, quando cheguei na segunda colocação com um carro que quebrou 14 vezes em 17 provas.
(Dando pau no Shumi no kart)
Em 23 de setembro de 2001 nasce nosso primeiro filho, o Eduardo. O Dudu tem sido um grande incentivador e seu nascimento foi algo que me trouxe muita paz e tranquilidade para continuar lutando pelos meus objetivos. Sempre que chego em casa após um corrida batemos um papo do que ele achou. Certa vez, após uma das duras corridas que disputei, ele me perguntou: “Porque você estava com cara de bravo no podium se o podium é uma coisa tão maravilhosa??â€. Prometi a ele que motivo algum me faria ficar com cara de bravo no podium novamente! E eu que achava que não amaria ninguém igual ao Dudu, mas em 12 de setembro de 2005 nasceu o Fernando, nosso segundo filho, e percebi que estava errado. Pilotei 6 duros e longos anos pela Ferrari e sou muito grato a eles, pois a equipe me ajudou a conquistar os dois vice-campeonatos, as nove vitórias, os 25 segundos lugares e os 21 terceiros lugares, sem contar as poles e as voltas mais rápidas e os 5 tÃtulos de construtores que eu ajudei, e muito, a conquistar. Aprendi muito com eles e com o Schumacher, e saio da Ferrari muito ansioso pelo futuro. Me sinto quebrando paradigmas da Fórmula 1. Aos 33 anos me sinto mais competitivo do que nunca. Pela primeira vez, apareceu uma real oportunidade de mudar o que já era bom para, agora sim, perseguir meu quarto objetivo: conquistar um tÃtulo de Fórmula 1. *Escrito por Rubens Barrichello Info:kartleader.com.br
Powered by !JoomlaComment 4.0alpha3
!joomlacomment 4.0 Copyright (C) 2009 Compojoom.com . All rights reserved." |
Entrar Kart Ja





Meu pai e minha mãe
A famÃlia da minha mãe sempre esteve e ainda está envolvida com automobilismo. Meu tio Dárcio tem uma equipe de Fórmula 3 sul-americana e alguns dos meus primos de Kart.
Meu pai esteve e está ao meu lado em todos os momentos, nos maus e nos bons! Tenho total consciência da importância de minha famÃlia neste processo todo.
o kartismo, e ingressei na Fórmula Ford. Nessa época, as coisas ainda eram difÃceis e me lembro bem de um episódio muito engraçado. Só tÃnhamos dinheiro para comprar um Fórmula Ford usado. E não era dos melhores. Antes dos primeiros treinos oficiais tivemos que enviar os carros através da transportadora oficial da competição. Inexplicavelmente, meu carro caiu do caminhão e ficou destruÃdo. Resultado: recebi um carro novinho e com isso pude já vencer a primeira prova. Terminei o campeonato em terceiro lugar. Aprendi muito na época, pois a diferença de um kart para um Fórmula Ford era e é enorme.
Foi então que as coisas começaram a melhorar um pouquinho. Afinal, eu já falava Italiano. Morava em uma casa muito boa e com o tempo outros amigos começaram a chegar do Brasil tentando a mesma sorte, o que ajudou na minha adaptação na Inglaterra. Muitos passaram por lá, como o Pedro Paulo Diniz, Gualter Sales, Ricardo Rosset e o Roberto Xavier. O ano foi duro. O carro não era muito competitivo e tivemos até que trocar o fornecedor de motor no meio da temporada. Mas mesmo assim consegui chegar em terceiro no campeonato e minha carreira caminhava a passos largos para muito antes do que eu imaginava poder sentar e acelerar um Fórmula 1.
Em janeiro de 1993 finalmente chegou o grande dia. Fui fazer um teste pela Jordan no circuito Silverstone. Toda negociação foi muito rápida e mesmo tendo algumas outras ofertas decidimos fechar com a Jordan. Era o sonho tornando-se realidade. Naquele mesmo ano eu seria um piloto de Fórmula 1 e defini alguns objetivos para minha carreira. Primeiro: marcar pontos. Segundo: conquistar um podium. Terceiro: vencer. E quarto: conquistar o titulo de Campeão Mundial de Fórmula 1.
Para minha própria sorte, lembro muito pouco dos momentos do acidente, das duas capotadas e de como os fiscais em uma maneira completamente irresponsável viraram meu carro. Tampouco me recordo de como cheguei até o hospital com o diagnóstico de traumatismo craniano, fratura do braço direito, fortes contusões na coluna e do lado direito do tórax, fratura do nariz e contusões na face e boca. No entanto, lembro muito bem de quem estava ao meu lado assim que eu recuperei meus sentidos: Ayrton Senna.
Tive alta no sábado e fui pra casa. Nessa época ainda morava na Inglaterra e assisti a corrida pela TV. Era um final de semana muito tenso, pois o Ratzenberger havia morrido no sábado, o que já seria uma grande tragédia que passaria despercebida para nós, brasileiros, com o que viria a acontecer. Bom, o resto vocês já sabem, mas o que talvez não saibam é que foi a maior perda da minha vida. Ayrton era meu norte, minha alegria de correr. Nas 18 corridas anteriores as vezes não sabia o que mais me dava prazer, se era o fato de estar pilotando um carro de Fórmula 1 ou de estar ali perto dele. Provavelmente não me recuperei desse trauma. Tive que me recuperar de outros muito rápidos, como o fato de ter que entrar no carro novamente e encarar os meus medos. Prometi a mim mesmo que se naquele teste, 15 dias apos toda a tragédia, não fosse mais rápido do que já havia sido no passado, pararia de correr, porque isso significaria que o medo havia me tomado por inteiro. Para alguns isso poderia soar como uma grande besteira, mas enfiei o pé e provei que poderia continuar. Fui mais rápido. O ano passou e tive excelentes resultados terminando o campeonato em sexto com 19 pontos.
E melhores ainda com o três pódiuns em 1999 que me levaram a assinar com a Ferrari. Muitos acharam que eu estava completamente maluco ao assinar com a Ferrari de Schumacher. Havia passado por logos anos andando com carros que não me permitiram ser o Rubens tão vitorioso das categorias anteriores e eu precisava provar pra mim mesmo que continuava vitorioso. Era um desafio mais para mim mesmo do que qualquer coisa: voltar a ter a confiança em meu potencial.
2000 chega com grandes esperanças de mais pódiuns e de finalmente poder chegar a minha primeira vitória. No dia 31 de julho de 2000, depois de largar em 18º devido a problemas elétricos durante a classificação, consegui atingir meu terceiro objetivo: vencer uma corrida de Fórmula 1. Aquelas últimas voltas debaixo de chuva na metade do circuito e eu andando de pneu de pista seca foram momentos muito emocionantes e inesquecÃveis!!! Não conseguia parar de pensar em todas os sacrifÃcios que minha famÃlia fez para que eu chegasse até ali. Foi um flash back de tudo que havia acontecido até aquele momento.

