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Existe uma frase muito citada no futebol que é : “O medo de perder tira a vontade de ganharâ€. Adaptando para o kartismo, eu diria que o medo de errar diminui a chance de acertar e inovar.
Se fomos analisar friamente, o esporte já é uma grande fria psicológica, você já entra perdendo, indepentente da boa posição de grid. Temos inputs que o erro deve ser repreendido e punido. Se vocês se lembrarem dos tempos de escola, sempre que um professor apresentava uma questão para a turma responder, muito poucos se apresentavam para responder e sempre tinha alguém que, depois de respondida a pergunta, dizia que sabia a resposta, mas tinha medo de falar e estar errado, não é verdade?
O modelo de educação que recebemos no Brasil foi todo ele calçado na metáfora da máquina como sÃmbolo da época. Se você errasse uma palavra, você tinha que ir para o quadro e repeti-la várias vezes, assim como nos treinamentos para realizar o trabalho nas indústrias que era baseada na repetição, ou seja, não eram treinamentos, na verdade, eram adestramentos. No kartismo a tradução do erro se torna repetição, muitas voltas mas poucas qualificadas, muito esforço mas pouco reconhecimento.
Vivemos em um mundo cada vez mais complexo e, devido a essa alta complexidade, existem muitas variáveis a serem consideradas em qualquer processo. Mesmo nas pistas, após exaustivos treinos e coachings, é impossÃvel termos todas as informações disponÃveis para tomar a decisão 100% perfeita, troca ou ajuste. Isso aumenta mais ainda a chance de erro nas nossas decisões, mas isso não pode ser justificativa para tornar o processo decisório vagaroso e retardar a ação. Uma coisa é certa, nenhuma decisão considerará todas as variáveis e nenhuma decisão conseguirá agradar a todos, mas a ausência de decisão e ação é meio caminho andado para o fracasso de uma corrida ou até mesmo de um piloto. Veja o exemplo de muitos pilotos que passam motores e carburadores em seus treinos semanais, mas quando chegam nas pistas, seguem para suas provas com motores sorteados - um soco vazio em uma escuridão sem fim, você sabe o tamanho do problema que está pegando? Pensou na decisão de troca ou gestão de crise? Creio que não...
Diante destes pontos, temos grandes erros que cercam os box do kartismo nacional: os "pais mecânicos" ou "pais coachings" - esta cultura é muito praticada no Brasil, por dois motivos: "pago então mando" ou "queria ser e você está sendo" - porém a cobrança pelo acerto é muito apelativa! Erro é para ser corrigido e não punido. Negligência é que deve ser punida. O erro deve ser encarado como um instrumento pedagógico, como meio de aprendizado e aperfeiçoamento técnico de um piloto. Não existe inovação sem assumir riscos e assumir riscos é saber que erros podem acontecer, a diferença está em como aprendemos com nossos erros. Nesse sentido, o papel dos "pais coachings" é de criar ambiente propÃcio para que os pilotos sintam-se confiantes para arriscar e orientar os membros da equipe a aprender com os erros cometidos, sejam eles mecânicos, preparadores e pilotos.
Viva a realidade do acerto e sempre esteja ciente que o erro lhe acompanha, para que não haja frustrações futuras.
Por Leandro Claro, editor-chefe do Portal KartOnline.
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