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Na década de 50, o vestuário do piloto buscava elegância e conforto. Juan Manuel Fangio, por exemplo, corria de camisa pólo e calça social, uma balaclava e um "capacete" de couro. Nos anos 70 a indumentária completa do piloto era de algodão inflamável, até o acidente de Niki Lauda em 76 que provocou o início das mudanças nesta área.
Neste exemplo, a composição exata ou processo produtivo das 17 camadas de elementos que compõem o capacete, são informações sigilosamente mantidas pelos fabricantes. São revelados apenas 5 dos seus principais compostos: a fibra de carbono trazendo rigidez e leveza, o Nomex à prova de fogo, o aramida ou "kevlar" com sua elevadíssima resistência à ruptura/tração, o polietileno utilizado em blindagens ou vestuário à prova de bala, e o policarbonato da viseira. Esta com espessura de 3mm e altamente resistente, assegura a visão do piloto ajustando-se à luminosidade externa, em mais de oito cores incluindo as espelhadas. Nos testes destrutivos, são disparados projéteis contra a viseira a mais de 500km/h e o resultado do impacto é analisado criteriosamente.
PROTEÇÃO CERVICAL
A partir de 2001 na F1 e em seguida na IRL/Indy, o capacete passou a ter um acessório obrigatório: o sistema HANS (Head And Neck Support) ou protetor de coluna cervical. Funcionando em conjunto com o capacete e o cinto de segurança, a proteção cervical HANS reduz drasticamente a força exercida na cabeça e pescoço durante um acidente.
Apesar de ter sido criado no início da década de 80, o 1º uso oficial do sistema HANS aconteceu apenas em 1989 por Paul Newman. Este item tornou-se obrigatório nas demais categorias após a repercussão do falecimento do multicampeão Dale Earnhardt (veja filme abaixo).
Notem que a pancada fatal no muro não parece extrema (calculada em 144 km/h) e mesmo assim quebrou o osso da base do crânio, o qual apóia sobre a primeira vértebra cervical "no topo da coluna". É para proteger este osso que foi criado o Hans e também o LEATTBRACE, versão para moto e kart disponível no mercado e obrigatório em diversos países, até mesmo para treinar em pista.
O principal beneficiado do desenvolvimento dos equipamentos é o piloto, já que a vida do ser humano vem em primeiro lugar.
Mesmo assim, é comum no meu papel de profissional da área, por ocasião do lançamento e/ou obrigatoriedade de novas homologações e equipamentos, receber comentários negativos. Culturalmente o brasileiro não investe em segurança, ou muitas vezes privilegia aparência no lugar de função. Assim, gradativamente estamos ajudando os pilotos a desenvolver a consciência da segurança.
NOVOS CONCEITOS Existem inúmeros protótipos de capacetes em desenvolvimento, inclusive novos modelos e conceitos, impulsionados pelos acidentes de John Surtees Jr, Felipe Massa, dentre outros.
Além da segurança e da aerodinâmica, cada piloto possui em seu capacete uma identidade exclusiva. Através da pintura personalizada, artistas especializados criam visuais inéditos de acordo com cada personalidade dando vida a projetos únicos.
CAPACETES E CRITÉRIOS DE ESCOLHA NA COMPRA
Atualmente existem diversos tipos, modelos e marcas de capacetes no mercado. Ainda por cima temos as classes de homologação, datas (de fabricação e de validade), validade da homologação em si, uma infinidade de materiais que compoem a estrutura/construção do casco, ... No meio disto tudo, o piloto se pergunta: "Qual deles é o melhor para minha finalidade de uso?"
Já que o capacete é utilizado por alguns anos, e representa um dos maiores investimentos na indumentária pessoal, é necessário frisar que um capacete novo deverá "servir" ou "vestir" muito bem, de preferência apertado/justo já que irá lacear com o tempo de uso. Aí somente experimentando diversas marcas, modelos e tamanhos para ter certeza da melhor opção.
Temos os modelos fabricados na China a preços atraentes, outros tantos produzidos no Brasil e Argentina sem homologação nenhuma e mais outros ainda, por incrível que pareça, fabricados e comercializados sem qualquer critério ou preocupação com a segurança dos pilotos. E ainda capacetes de marcas excelentes, porém falsificados !
Ao comprar, verificar se a certificação do capacete é atual (selo de homologação fixado internamente ou externamente). No Kart é obrigatório o uso de capacetes com certificação "igual ou superior" a K2005, SA2005 ou CMR-CMS2007 (veja http://www.smf.org/).
Qualquer homologação anterior a esta (ou mesmo para moto) NÃO serve para kart, por não atender às exigências mínimas de segurança (cargas de impacto utilizadas nos testes CIK/FIA) e consequentemente a capacidade de proteger o piloto em caso de necessidade (acidente). Lembre-se, a vida é preciosa demais para economizar na tua proteção.
Fonte: www.kartonline.com.br
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